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Terapia Ocupacional e a autonomia dos idosos.

2018-03-28

Entrevista

"Com o envelhecimento da população, cresce a demanda pelo cuidado dos idosos. É preciso conhecer e considerar sua história de vida para saber lidar adequadamente com eles. Além disso, precisamos empoderá-los, restituindo-lhes sua autonomia e independência. E a Terapia Ocupacional é um ótimo caminho para isso" - Fortunée Nigri é terapeuta ocupacional do Froien Farain.
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Fortunée possui graduação em fonoaudiologia e em terapia ocupacional e especialização em psicogeriatria, tem experiência nas áreas de transtornos mentais do envelhecimento, intervenção cognitiva, orientação familiar e aos cuidadores. A profissional atuou como terapeuta ocupacional do Centro para Pessoas com Doença de Alzheimer e outros Transtornos Mentais da Velhice - CDA, no Instituto de Psiquiatria - IPUB e como docente do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Hoje, Fortunée emprega todo seu conhecimento e experiência no trabalho desenvolvido com os idosos do Froien Farain. São diversas inovações e projetos lúdicos exclusivos que colaboram para melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos residentes. Há diversas novas possibilidades iniciativas que estão para ser implementadas, mas dependem de uma equipe maior de voluntários em Terapia Ocupacional. Confira a entrevista com nossa terapeuta ocupacional.
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FF - Como foi criado esse projeto e qual é o seu objetivo?
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FORTUNÉE NIGRI - Eu já conhecia o trabalho da casa e alguns de seus profissionais. Então, em fevereiro de 2016, comecei a atuar aqui como Terapeuta Ocupacional. Todas as tardes de segunda-feira, realizo atividades em grupos que variam entre 9 e 12 residentes da casa de 10 idosos na casa, visando, de modo lúdico, estimulá-los cognitivamente fazer estimulação cognitiva. para ajudar os participantes a conviverem melhor e a superarem seus déficits cognitivos e suas algumas limitações físicas, emocionais e sociais, o que reflete diretamente na qualidade de vida deles.
De onde vêm os jogos utilizados nessas atividades? Inicialmente, eu busquei alternativas prontas no mercado. Mas o material que geralmente se encontra nas lojas não é (muito) adequado para esse público. Por exemplo, eles possuem letras pequenas, imagens confusas, o que acaba dificultando o interesse e a participação dos idosos.
Então eu mesma passei a criar e produzir materiais lúdicos para auxiliar na estimulação cognitiva. Eu verifico o que pode ser do interesse deles, o que pode atender às suas necessidades, que esteja alinhado a seu nível sociocultural e crio jogos onde trabalhamos as funções cognitivas e também seja divertido para os participantes.que sejam divertidos para os participantes.
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FF - Como são esses jogos, você poderia dar alguns exemplos?
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FN – os jogos disponibilizados precisam ser do conhecimento dos participantes, evitando o confronto com suas perdas cognitivas e limitações. Eu sempre busco desenvolver atividades lúdicas, para que os idosos tenham interesse genuíno em participar, em jogar, em interagir durante as tarefas, em melhorar sua memória, atenção e raciocínio. Por exemplo, confeccionei há um Dominó de Pontos Turísticos e um Bingo dos Provérbios. Esse material é de conhecimento deles e aos poucos eles vão relembrando e fixando as informações previamente conhecidas. Esse trabalho com os provérbios, eles acham muito divertido. Em uma das atividades, eu distribuo tabelas com imagens que traduziriam literalmente esses ditos e aí eles têm de dizer de qual provérbio estamos tratando. Por exemplo, eu pergunto "quem tem o provérbio 'trocando as bolas'?”, ou “chá de cadeira”, “chorar pelo leite derramado”, etc., aí eles encontram as imagens e nós conversamos sobre o provérbio, sobre quando eles o utilizaram em sua vida, vemos exemplos.
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FF - Quais são os benefícios trazidos por esse tipo de atividade?
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FN – trabalhar cognitivamente de forma lúdica e descompromissada a memória, atenção, linguagem, etc. e estimular a interação social, conhecer os participantes do grupo pelo nome, conhecer parte da historia de cada um. Além do caráter lúdico e social, com a repetição, eles voltam a lembrar do que foi perdido, fazemos sua estimulação cognitiva, gerando benefícios quanto à atenção, memória, raciocínio, concentração.
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FF - Essas atividades podem ser realizadas apenas com idosos?
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FN – esses jogos podem ser utilizados para pessoas de todas as idades e é uma forma prazerosa de estimularmos a nossa mente. Na verdade, esses jogos lúdicos podem ser aplicados com todos os adultos. Ainda, eles podem ser bastante benéficos como aliados para tratamentos de sequelas, como a doença de Alzheimer.
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FF - Você desenvolve mais algum projeto no Froien Farain?
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FN - Eu (também) ministro cursos para os cuidadores do Froien Farain e para os acompanhantes dos residentes, com o objetivo de capacitá-los e orientá-los a ter um “olhar” mais apurado para os cuidar dos nossos residentes. ()para a qualificação de quem trabalha no Froien Farain, tratamos tratando de questões sobre como cuidar dos idosos, a melhor forma de se comunicar com eles e lidar com suas dificuldades, etc. Há questões que são muito simples, mas que fazem toda a diferença na rotina e na qualidade de vida desse público. Por exemplo, colocar uma almofada antiderrapante para um idoso cadeirante sentar com mais conforto e segurança. Dicas assim são tratadas nesses cursos.
Temos o projeto de adaptações dos utensílios e mobiliários que estamos desenvolvendo pouco a pouco na sala de convivência, no uso das cadeiras de rodas, no vestuário como roupas e calçados adequados, na alimentação como os talheres, pratos, copos, tudo com o objetivo de preservar a autonomia e independência dos residentes e consequentemente uma melhor qualidade de vida nos anos subsequentes.
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FF - Há ideias para novos projetos?
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FN - Sim! Gostaríamos de incluir mais a família nas atividades. Além disso, trabalharmos com mais grupos, se tivermos mais Terapeutas Ocupacionais atuando como voluntários.
Hoje, conto com o apoio da voluntária Joana Moraes, Terapeuta Ocupacional que acompanha as atividades que desenvolvo no Froien Farain. Com o seu auxílio, estamos desenvolvendo uma nova atividade, um jogo de perfil dos idosos da casa. Estamos colhendo informações sobre eles (por exemplo, quem nasceu em tal lugar, quem desempenhava determinada profissão, etc.). Com isso, elaboraremos o jogo de perfil, para que eles adivinhem de qual colega deles estamos falando. Assim, reforçamos a historia de vida de cada um para o grupo e para cada um deles, pois é sabido que no curso da doença alguns podem vir a esquecer sua identidade e sua historia de vida. (eles não se esquecerão de quem são e todos irão se conhecer melhor. Trabalharemos para que eles não percam sua identidade e passaremos esse conhecimento para os cuidadores conseguirem lidar melhor com esses idosos.) aprendi que Afinal, o comportamento das pessoas está bastante relacionado à sua história de vida. Então, é imprescindível conhecer a historia de cada um para podermos nos relacionar de forma adequada sem julgamentos e criticas. Pra mim, esse é um trabalho maravilhoso e gratificante, muito embora nossas conquistas sejam pequenas, tenho certeza que fazem uma grande diferença no dia a dia de cada um deles. se não sabemos quem são esses idosos, não conseguiremos nos comunicar bem e lidar adequadamente com eles.
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Para saber mais sobre esse projeto e para atuar como voluntário, clique aqui e entre em contato com o Froien Farain.
Nossa equipe de voluntariado lhe retornará em breve.