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Uma história de serviço e vocação

2018-11-09

Depoimentos

Meu nome é Carlos José da Conceição e tenho 52 anos, sendo 19 de profissão como técnico de enfermagem. Tenho uma filha de 15 anos que também quer seguir a minha profissão.
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Sempre tive vocação para cuidar das pessoas. Quando eu era criança, sempre que alguém se machucava eu logo corria para ajudar, fazer um curativo, mesmo sem ter ideia de como fazer. Acho que isso já nasceu comigo, porém, como tive que começar a trabalhar desde muito cedo para ajudar meus pais em casa, tive que deixar o sonho um pouco de lado.
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Trabalhei alguns anos em escritório, no comércio, como segurança e em muitas outras atividades até que, em 1999, arrumei um emprego noturno que tinha uma escala de 12x36, em Marechal Hermes. Todos os dias do meu plantão eu passava em frente a um curso de enfermagem e ficava ali parado, olhando... até que um dia eu resolvi entrar e me matricular.
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Acho que esse foi um dos dias mais felizes da minha vida! Cheguei em casa e contei para minha mãe e minha irmã, que me deram o maior apoio. Todos os dias de aula eu sentava lá na frente, perguntava tudo. Eu sabia que essa seria a minha vida e os professores diziam que eu tinha futuro!
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Estudei lá todos os dias durante 1 ano e 7 meses, até concluir o curso mas eu realmente vi minha vocação na prática quando comecei os estágios. É quando você realmente enxerga a realidade da saúde, como a profissão é bonita mas também como é esquecida pelos nossos governantes. Mas eu não desisti, dei o melhor de mim nos estágios: passei por diversos setores como pediatria, trauma, berçário e emergência no hospital onde comecei.
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Agora, para mim, a parte que mais me marcou foi quando cheguei na clínica médica e vi as pessoas mais debilitadas, geralmente idosos. Aquilo mexeu muito comigo. Eu, além de cuidar, conversava, escutava cada um com sua história de vida. Por causa dessa experiência acabei me especializando no cuidado aos idosos. Fiz um curso de cuidador, fui a várias palestras até que chegou o meu dia!
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Entreguei meu curriculum numa clínica na Santa Alexandrina para fazer um teste de emprego, meu primeiro com carteira assinada. Tive a oportunidade de fazer o teste prático de cuidados com banho, cama, alimentação, troca de fraldas e medicação. O chefe de enfermagem da casa disse ao proprietário – que nunca havia tido a experiência de trabalhar com um homem como técnico de enfermagem - se ele não me contratasse estaria perdendo um ótimo profissional.
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Eu fui contratado e estou trabalhando lá já faz 18 anos. Ao longo dos anos tive diversas promoções e hoje sou técnico do plantão noturno, responsável pelo pessoal.
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A minha história no Froien Farain começou por um acaso. Estava lendo o jornal O Globo durante meu plantão na Santa Alexandrina quando vi o anúncio de uma vaga para técnico de enfermagem. Liguei e consegui marcar o teste e, depois de alguns dias de testes práticos, eu fui aprovado!
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O Froien Farain tem uma organização e estrutura de uma clínica de primeiro mundo! Aprendi e aprendo muito aqui na casa, há 16 anos. Além de toda a estrutura, nossos idosos contam com serviço social, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e toda a equipe de técnicos de enfermagem e cuidadores.
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Nosso trabalho aqui não tem fim. Para você cuidar de idosos tem que amar de verdade o que faz e, às vezes, um simples gesto seu como um bom dia, um abraço, um sorriso ou um aperto de mão fazem toda a diferença. Um idoso, que está ali, vulnerável nota que alguém se preocupa com ele e que ele é importante nas nossas vidas. É importante estimular que eles interajam sozinhos – com um pouco de ajuda, claro – como num jogo de bingo ou na aula de canto do David, aos domingos, onde eles cantam e dançam.
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Os jogos e as aulas de fonoaudiologia e fisioterapia também são muito importantes. Uma das atividades recentes que nossos idosos mais gostaram foi a iniciativa dos funcionários trazerem seus filhos para que os residentes pudessem conhecê-los. Foi ótimo para eles e para as nossas crianças!
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Nesse momento, eu estou terminando minha formação como assistente social com foco no trabalho com idosos, porque ainda há muitos lugares onde eles não são tratados com respeito e dignidade que merecem.
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Se todos chegamos até aqui, devemos agradecer aos mais velhos, que trabalharam pelo nosso país e pelas nossas famílias.