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Voluntariado: uma via de mão dupla

2021-04-12

Depoimentos

Ser voluntário é sempre uma experiência muito gratificante. Aqui em nosso lar, somos testemunhas de muitos acontecimentos capazes de emocionar qualquer leitor. Quer ver só?

Acompanhe a história da voluntária Rochele Scheiner com a nossa ex-moradora Dyna Pejsachowicz, que faleceu ano passado.

Dyna, imigrante polonesa, começou a ser acompanhada por nós ainda em casa. Inicialmente, algumas diretoras, voluntárias e a assistente social Sueli Gabel costumavam visitá-la e garantir que não lhe faltasse nada de importante. Durante um período, providenciaram inclusive alimentação diária.

Somente em 2004 D. Dyna veio morar em nosso lar. Após uma queda, onde machucou o braço e precisou passar por uma cirurgia, aceitou ir se recuperar no Froien Farain, pois estava com os movimentos limitados e não poderia ficar sozinha em seu apartamento.

O tempo foi passando e ela percebeu que seria melhor se mudar em definitivo. Sempre foi muito ativa em nossa comunidade e não foi um processo fácil. Recebia muito carinho no Froien Farain (diretores, assistente social, psicólogos), mas faltava uma atenção externa.

Foi quando Rochele chegou ao Froien Farain em busca de um desafio, não apenas no intuito de doar seu tempo. Seu objetivo era se sentir útil para alguém, estava em busca de preencher o vazio do outro, de algum de nossos residentes. Procurou saber quem era o morador ou a moradora mais difícil de lidar dentro da casa. A equipe não pensou duas vezes e a levou até D. Dyna, uma senhora sem familiares no Brasil, totalmente sozinha, que não saía do quarto e pouco se comunicava. E assim começou essa história de amizade, amor, companheirismo..., de preenchimento.

Foi se aproximando aos poucos e assim começou a estabelecer um vínculo. Toda semana estava lá, mesmo que às vezes elas nem conversassem. Nascia ali uma relação pura de amor entre duas pessoas.

A voluntária lembra, com carinho, das tardes que passaram juntas, cantando músicas em idish (que aprendia com a imigrante polonesa, já que não fala o idioma), contando histórias e em especial do lanche que saboreavam. D. Dyna cuidava para que não faltasse o sanduiche de queijo e Rochele o iogurte preferido pela anfitriã.

Como D. Dyna gostava de vê-la comendo aquele sanduíche! Sentia um grande prazer naquilo.

Quando era dia de visita, nossa residente já ia para a varanda e ficava esperando. Quando Rochele aparecia, fazia um gesto de confirmação com a cabeça: “ela veio”.

Uma comemoração de Pessach se tornou inesquecível. Como D. Dyna não gostava de sair do quarto para participar das atividades junto com os outros moradores, Rochele resolveu trazer de casa as receitas preferidas de nossa moradora: farfale e guefilte fish. Ali no quarto, arrumou tudo com o maior carinho e montou uma linda mesa de seder. Na foto abaixo, a voluntária com a filha e D. Dyna curtindo esse momento. 

E nos aniversários, nossa residente já a esperava, sabia que teria bolo e parabéns! Teve um ano em que Rochele levou os amigos dela para celebrarem juntos. Foi uma grande alegria.

Nos últimos seis anos, as duas estabeleceram essa relação entre moradora e voluntária. Rochele acredita que D. Dyna a tinha quase que como uma filha de coração. Era simplesmente amor, além de confidenciar praticamente toda a sua vida a ela, que tinha uma memória invejável e guardava em sua lembrança tudo que Rochele contava, com detalhes.

Toda vez que ela ia visitá-la, saía de lá melhor do que entrava e pontua: “o voluntariado é uma via de mão dupla. Parte da força que tenho hoje para enfrentar desafios vem desses seis anos de troca. Estivemos juntas em momentos alegres e de dor. Uma grande transformação”.

“Em sua despedida, eu era a única “família” presente. Fiquei junto dela até o fim de sua vida”, lembra com muita emoção.

Mês passado, Rochele recebeu do Froien Farain o que considera um tesouro muito valioso, a mala com as memórias da D. Dyna. Fotos, roupas, documentos e demais objetos: “fiquei arrepiada ao receber a mala. Acho que fecha o ciclo. Essa mala não veio parar na minha mão por um acaso, acredito que o universo conspirou para que eu cuidasse desses pedaços de sua história. Acho que ela, assim como eu, está feliz com o destino de seus pertences” 

 

Diretores e funcionários do Froien Farain, que tiveram a oportunidade de conhecer D. Dyna, são unânimes em dizer da importância dessa relação no “resgate” de D. Dyna, uma pessoa muito fechada, difícil de se relacionar e que após conhecer a voluntária se transformou consideravelmente, se tornando uma pessoa mais doce e aberta.

É ou não é uma história emocionante?

Esse depoimento traz apenas um caso de como o voluntariado pode ser transformador não só na vida de quem doa seu tempo, mas principalmente para aqueles que recebem. Seja também um voluntário aqui no Froien Farain. Faça você a diferença!